Sentir-se só

Há algum tempo atrás, publicamos um vídeo falando sobre os motivos para fazer um documentário como o Voadores. Lembro da emoção que senti quando entrei pela primeira vez no site do Saulo Calderon (www.viagemastral.com) e descobri uma imagem que ilustrava algumas das minhas saídas do corpo. Eu tinha 17 anos e não achava nada legal sair do corpo rodando para o lado ou de pernas para cima. Não tinha lido sobre o assunto antes e sequer sabia que era possível sair voando de forma tão “espalhafatosa”. Lembro do sentimento de identificação, de sentir que eu não era a única, que não estava sozinha. Na verdade tenho minha reação “registrada” em uma conversa no MSN com meu amigo Rafa, que me passou o site… mas por alguma razão, talvez pelo medo e pela vontade de parar aquelas saídas espontâneas, eu não quis investigar mais sobre o assunto. É difícil saber exatamente o que eu pensei há 11 anos atrás, mas eu simplesmente não quis saber mais.

Até que em 2013 eu voltei a encontrar o site do Saulo, depois de 9 anos… e voltei a chorar de emoção lendo seu livro em PDF. Ele também sentia medo quando era jovem, ele também deixou de ter experiências até que um dia quis saber porquê elas começaram e deixaram de acontecer. Este ano, voltei a notar esse sentimento de comunhão no Congresso da IAC, quando Carlos Bernal perguntou quem já havia tido uma experiência fora do corpo e uma multidão de mãos foram levantadas. Por alguma razão, o ser humano se emociona ao notar que não está sozinho, que não é o único a viver situações desconhecidas e que lhe provocam medo.

Ajudar a criar uma consciência sobre o assunto foi um dos grandes motivos que me animaram a trabalhar neste filme. Quantas pessoas agradeceriam a sensação de não estarem sós? Quantas deixariam de dizer “isso não existe” por pura ignorância? Quantas deixariam de ir ao psiquiatra e de tomar remédios para “curar” algo que é perfeitamente normal? Nunca sabemos o alcance de nossos atos, mas cada vez que recebo uma mensagem de alguém que acredita na utilidade deste documentário, me sinto imensamente forte para encarar qualquer obstáculo que vier.

Neste pequeno trecho da nossa entrevista com Roberto Pineda (administrador do site www.projecaoastral.com), ele nos conta como foi essa sensação contraditória: se por um lado as pessoas diziam que aquilo era uma bobagem, por outra suas experiências eram gratificantes… portanto, por que as bloquear? O caso pode ser diferente com algumas crianças e é disso que falaremos algum dia desses, pois é algo que merece um post à parte!

E você, já teve alguma experiência que achou melhor não compartilhar? Tentou falar sobre o assunto e se sentiu incompreendido? Encontrou um grupo de voadores com experiências similares e sentiu a emoção de ser entendido?

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